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O curso faz uma análise econômica e política da atual crise do neoliberalismo, agravada com a crise financeira de 2008, e seus efeitos diretos sobre a crise de legitimidade das democracias liberais, bem como sobre o crescimento do fascismo em escala global. 

O curso aborda a crise das democracias liberais ocidentais impulsionada pela crise do neoliberalismo e pela perda de legitimidade da representação política. Essa crise se dá durante um processo histórico marcado pela polarização política: por um lado, o crescimento dos movimentos sociais anti-austeridade e, por outro, o crescimento de novas formas de fascismo e populismo. Nesse contexto, o retorno dos princípios totalitários (Arendt, 1958) enfraquece as instituições democráticas e as possibilidades de diálogo e pacto social, bem como institui uma nova era de extremos.

A questão deste curso é: Por que as massas populares se tornam suscetíveis aos discursos políticos neofascistas na atual crise do neoliberalismo? Para responder a essa pergunta, além da leitura das referências sobre a crise de legitimidade das democracias liberais contemporâneas, bem como das referências do pensamento social brasileiro sobre a tradição autoritária do sistema político no Brasil, é necessário recorrer às teorias clássicas sobre fascismo e psicologia de massas, em particular às obras de Sigmund Freud, Psicologia das Massas e a Análise do Self (1921), de Wilhem Reich, Psicologia das Massas no Fascismo (1933), e Theodor Adorno, Teoria Freudiana e o Padrão da Propaganda Fascista (1951).


Ministrante:

Humberto Machado: Doutor em sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (iESP-UERJ - antigo IUPERJ). Professor de SciencesPo-Paris e Post Doc Césor/EHESS- Paris.

 

Público-alvo:

Compreender a relação entre o crescimento do fascismo e a crise do neoliberalismo (assim como o que torna as massas populares vulneráveis às ideias fascistas) é uma questão pertinente aos alunos e profissionais interessados em relações internacionais, economia e ciências sociais aplicadas, mas o curso também é aberto à comunidade em geral.

Pré-requisito:

Conhecimento em inglês.


Conteúdo Programático:

A primeira parte do curso trata de uma análise da configuração do capitalismo no século XXI (Piketty, 2014), do conceito de neoliberalismo e sua crise (Venugopal, 2015, Springer, 2015). A parte seguinte trata das teorias clássicas da democracia liberal (Schumpeter, 1950; Tilly, 1973) e como esse regime é impactado pela crise do neoliberalismo. Posteriormente, abordamos o crescimento dos movimentos anti-austeridade (Gerbaudo 2012; Gerbaudo, 2017; Graeber, 2002) através do espaço digital e da democracia direta. Na seqüência, o curso avança com o estudo das teorias clássicas do totalitarismo, fascismo e populismo (Arendt, 1958; Payne, 1983; Arditi, 2004; Albertazzi, 2013), bem como a análise do crescimento de movimentos neofascistas e totalitários nas democracias liberais ocidentais (Castells, 2018; Virno, 2005; Basbay, 2019). A investigação sobre o que faz com que as massas populares sejam influenciadas pelos dicursos neofascistas baseia-se nas leituras de Freud (1921), Reich (1933) e Adorno (1951). O curso conclui com uma análise de experiências inovadoras na organização da economia e do trabalho social que surgiram na esteira da crise financeira: cooperativas, redes de troca, bancos éticos, moedas comunitárias, bancos de tempo compartilhados, redes de solidariedade, compartilhamento de bens, transações não monetárias, etc., experiências que prepararam o caminho para a renovação do sistema econômico global (Castells, 2017).
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